Flávio Dino propõe conciliação após prefeitos de Paranaíta e Alta Floresta levarem disputa de divisa ao STF
Os prefeitos de Paranaíta, Osmar Moreira, e de Alta Floresta, Chico Gamba, estiveram no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, acompanhados de senadores e deputados de Mato Grosso, para uma audiência com o ministro Flávio Dino sobre o impasse histórico de divisa entre Mato Grosso e Pará. A região concentra centenas de famílias e propriedades que vivem geograficamente no sul do Pará, mas dependem dos serviços públicos dos municípios mato-grossenses por falta de acesso às cidades paraenses.
O ministro Dino recebeu bem a delegação e, após ouvir a exposição técnica dos procuradores da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado, propôs convocar o Estado do Pará para uma audiência de conciliação — o que foi recebido como avanço significativo por todos os presentes. Prefeitos saem otimistas “O ministro acolheu nossa demanda e propôs chamar o Estado do Pará para uma conciliação. Saímos daqui muito animados. Sem o apoio da bancada, não teríamos a mesma força nem o mesmo resultado”, afirmou o prefeito Chico Gamba.
Osmar Moreira destacou o entrave jurídico que paralisa os gestores matogrossenses. “Se fizermos uma obra no estado do Pará, cometemos improbidade. Isso nos proíbe de levar grandes investimentos àquela população. É nossa responsabilidade buscar uma saída entre os dois estados”, disse. Bancada unida O senador Jaime Campos avaliou que a solução está próxima. “A conversa foi muito boa e avançou muito. Não há nenhuma razão para que essas famílias tenham que percorrer 600 a 800 quilômetros para acessar serviços públicos quando, aqui em Mato Grosso, estão a apenas 40 ou 60 quilômetros”, afirmou.
O senador Wellington Fagundes destacou a unidade da bancada como fator decisivo. “Quem atende aquelas pessoas é o Mato Grosso. Quando há unidade, isso facilita para que o resultado seja consistente e para que o ministro tome a decisão”, disse. O deputado federal Fábio Garcia reforçou o caráter humanitário da pauta. “Não podemos deixar nenhum brasileiro para trás”, declarou.
O deputado estadual Nininho, que revelou ser também proprietário na região, celebrou o encaminhamento. “Essa reunião veio criar um novo horizonte. Se Deus quiser, em breve teremos uma reunião de conciliação entre os dois estados”, concluiu. ENTENDA O CASO Famílias e propriedades localizadas no sul do Pará, próximas a Jacareacanga e Novo Progresso, dependem há anos dos serviços de saúde, educação e segurança oferecidos por Paranaíta e Alta Floresta, em Mato Grosso, por falta de acesso viável às cidades paraenses. O problema jurídico é que os municípios mato-grossenses não podem legalmente realizar obras ou investir em território do Pará.



