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DIAMANTINO
EM VERSOS
Diamantino querida
Terra de bom tamanho
Que a muitos deu guarida
Desde os tempos do antanho.
Em meados de setembro
Recebe o forasteiro Gabriel
E este com muito empenho
Torna-se seu escudeiro fiel.
Outros aventureiros
Se embrenharam na floresta
E chegando aos tabuleiros
Com o ouro fizeram festa.
O ouro foi o começo
Pra cobiça despertar
Dos que viviam a esmo
Sem lugar para ficar.
Depois veio o diamante
Dispersando os faiscadores
Pois o nobre rei mandante
Os fizeram desertores.
A coroa portuguesa
Extrair diamante proibia
E com tamanha avareza
Só a exploração lhe cabia.
A navegação paranista
Se deu logo após;
O caminho da mercadoria
Era Rio Preto, Arinos e Tapajós
Em uma das expedições
Setenta e duas pessoas viajavam;
Composta de um igaraté e sete batelões
Mais de quatrocentas léguas calcularam
A vila de diamantino é rica
A notícia corre o mundo;
Uma expedição científica
Registra tudo a fundo
Langsdorff e sua expedição
Grandes descobertas ministra;
É uma imensa coleção
Que a história registra.
À nossa história pertence
Não é conversa não é papo;
Em aquarela de florence
Está o nosso jenipapo.
O carandá, a figueira, a guariroba,
A festa do Senhor Divino;
O tarumã, cocais e guaitivoca
Tudo registrou no caminho.
Findo esse ciclo
Diamantino entrou em miséria;
Viver neste município
Passou a ser coisa séria.
Novamente outra fase
A receber muitos migrantes
Pois a exploração do "latex"
Passou a ser interessante.
Diamantino voltou a ter importância
No cenário nacional;
A borracha em abundância
Era seu grande capital.
Diamantino de importante
A ser perseguida passou;
Na caixa furada um informante
O seu povo entregou

CONTINUA
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Os
"Patriotas" perversos
A
cidade toda queimaram;
Já com o povo disperso
Nem a igreja pouparam.
O vitorioso em pompa
Alegra-se em festa;
Com desdém até monta
Quadrinhas como esta:
"Moçada do rio abaixo
Veste
só vestido fino,
Dinheiro que patriota
Foi
roubar em Diamantino"
Adamante durior progenies
Que seu povo assim se sinta;
Que nem a ave Fênix
Renasce da própia cinza.
Marechal Rondon e comitiva
Suas marcas aqui deixaram;
Em meio à gente primitiva
A
linha telegráfica fincaram.
Uma estação aqui instalou,
A segunda no Parecis:
Ponte de pedra outra firmou
É o que a história diz.
Diamantino outra vez
É a notícia no mundo afora;
Teodoro Roosevelt aqui fez
Visita em boa hora.
Já outros, como a Coluna Prestes
Ao povo veio amedontrar;
Diziam diamantinenses incontestes
Coisas de arrepiar.
Muitos outros forasteiros
Aqui deram suas contribuições;
São fatos rotineiros
Que servem como lições.
Na década de setenta
O sulista aqui chegou;
O cerrado arrebenta
Arroz e brachiaria plantou.
A soja foi a solução
Para quem acreditou;
Neste imenso chapadão
O progresso não parou.
Os heróis forasteiros
Irmanados aos filhos seus;
São todos brasileiros
Presentes de um só Deus.
Todos de mãos dadas
Unidos em um só coração;
São muitas as caminhadas
Para o progresso deste chão.
Diamantino querida
Terra de bom tamanho
Que a muitos deu guarida
Desde os tempos de antanho.
AUTOR: Francisco Catunda
Diamantino / MT
18/09/02
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