A povoação de Chapada te origem na missão de índios, fundada 1751, por ordem
do governador Rolim de Moura, e sua direção ficou a cargo do jesuíta Estevão
de Castro. Com a expulsão dos inacianos em 1758, a missão entrou em
decadência. Em novembro de 1778, em visita feita ao local, o Juiz de Fora
Dr. José Carlos Pereira, vendo a humilde palhoça que servia de capela,
decidiu construir ali grande igreja.
Como na missão
não "havia artífices de oficio algum que pudesse trabalhar nela, nem
mesmo ainda aprendizes", levou de Cuiabá os que julgou necessário, e no
curto prazo de maio a junho de 1779 deu "concluída uma famosa igreja
coberta de telha, rebocada e caiada, com capela mor, sacristia e casa
para os párocos pegada à mesma igreja." No dia 31, festa de Santo Inácio
de Loyola, foi benzida a igreja, rezada a primeira missa e transladada
para seu altar-mor, o único que então existia, as imagens existentes na
capela da missão velha: Santa Ana, Santo Inácio de Loyola e S. Francisco
Xavier. No dia Seguinte, Primeiro de agosto foi feita a dedicação da
igreja à sua padroeira, Santa Ana do Sacramento.
No dia Santa Ana deste ano tornou a fazer pomposa festa.
O projeto desta modificação datado no mesmo ano de 1780encontra-se no
arquivo da Casa Ínsua, em Portugal. É um saboroso desenho encimado por
uma cartela em estilo rococó, no qual aparecem a planta e um alçado. As
duas torres( que não existem mais ) são encimadas pitorescamente por
cata-ventos em forma de galo sobre uma esfera armilar.
Em 1781, tendo o Dr. José Carlos Pereira, que era baiano, deixando o
cargo que exercia em Cuiabá, e estando prestes a voltar ao Reino, estava
concluída toda a obra projetada, inclusive o adoro, feitos com seixos
roliços trazidos do rio Coxipó. Faltava porém o douramento da talha e a
pintura de tudo o que se achava em forro liso.
Por essa época, como referimos, estava trabalhando no retábulo altar-mor
da Matriz do Senhor Bom Jesus o mestre pintor e dourador João Marcos
Ferreira. Aproveitou o Dr. José Carlos a ocasião e contratou com ele o
douramento e pintura de que precisasse o templo da Chapada, "deque logo
se lavrou escriptura pública".
Carlos Francisco
Moura, 1976
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